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Viajando sozinha pela Colômbia: o início

Preciso começar este texto explicando que, apesar de ter sido uma vontade crescente no último ano, viajar sozinha não era a minha primeira opção para as férias de 2017. Na verdade, eu estava com uma viagem marcada para os Estados Unidos e, aos 45 do segundo tempo, tive um problema e tive que planejar uma nova viagem.

A essa altura, me encontrei em uma situação que muitos conhecem: quem podia viajar comigo não tinha dinheiro e quem tinha dinheiro não podia viajar. O jeito era ir sozinha mesmo, preparada ou não. Como Cartagena e San Andrés estavam na minha lista, decidi ir para Colômbia. Adicionando Bogotá, planejei um itinerário de 18 dias no país.

Na próxima série de matérias, vou contar sobre cada uma das cidades, as comidas típicas e as principais dicas para quem vai para lá e para quem quer viajar sozinha.

 

Sobre viajar sozinha

Acho que é importante dizer que viajar sozinha foi uma experiência incrível, mas não mudou a minha vida, como muitos dizem por aí. Para mim, o mais importante é saber que eu posso, sim, ir sozinha para onde eu quiser que vai dar tudo certo. Com cuidado, claro, mas a viagem me deu a segurança de que eu posso fazer o que eu quiser, que eu sou suficiente. Isso sim é libertador (e um boost de autoestima). Ainda mais estando em um lugar onde ninguém te conhece e não vai te encontrar nunca mais na vida.

Eu gosto de pensar em todas as variáveis (minha terapeuta quer me matar), então obviamente tinha alguns medos antes de embarcar. Como nunca tinha ido em um restaurante desacompanhada, comer sozinha todos os dias era um deles. Essa questão foi rapidamente substituída, na semana antes de viajar, pelo medo de me sentir sozinha e até ficar deprê no quarto do hotel.

Mas, durante a viagem, nenhuma dessas questões passou pela minha cabeça. Não me senti sozinha. O que eu tive foi a vontade de ter alguém com quem conversar às vezes, o que resolvi ligando pra minha família e pros meus amigos. No final, viajar sozinha foi muito natural. E isso não me contaram e não estava escrito nas várias matérias que eu li sobre o assunto.

 

Tipo de viagem

Algumas pessoas gostam de aproveitar a viagem solo para refletir sobre a vida, tomar decisões e até mesmo fazer uma autoavaliação. A Colômbia, para mim, acabou sendo um tempo de maior silêncio, com foco em todos os lugares, paisagens, pessoas e comidas novas que eu estava conhecendo. Para minha surpresa, o silêncio também foi muito natural.

Mas não pense que eu conheci um monte de gente. Essa expectativa eu tinha lido em vários blogs, mas acabou não acontecendo por alguns motivos. O principal é que eu não fiquei em hostel. Como esta era minha primeira viagem sozinha, estava numa vibe mais tranquila e queria ficar em uma área específica das cidades. Por isso resolvi me hospedar em hotel. Com certeza vou ficar em hostel da próxima vez.

Outros motivos têm a ver com o país para onde eu fui (me dizem que na Europa o pessoal conversa mais na rua) e com o destino em si – não sei se você reparou, mas fiz uma viagem de lua de mel comigo mesma. Claro, fiz algumas amizades no caminho, mas não da forma como eu esperava.

Também me falaram que eu veria muita gente viajando sozinha ou até mesmo comendo sozinha nos restaurantes, mas não rolou tanto quanto eu imaginei.

O que não me contaram

Não me contaram que viajar sozinha pode ser cansativo. Não necessariamente por estar desacompanhada, mas por não existir o trabalho em equipe e a divisão de tarefas. Se eu precisava de algo, tinha que ir lá pedir. Se eu me perdia, tinha que perguntar para alguém ou me encontrar sozinha no mapa.

Pra mim, o mais estressante era saber me localizar e chegar no hotel. Eu sou bem perdida e não tenho um senso de distância ou direção muito bom para dar uma ajudada, então me senti sobrecarregada em alguns momentos. O principal foi no primeiro dia em Cartagena, onde as ruas são parecidas, estreitas, curtas e cheias.

 

Conclusão

Viajar sozinha é algo que eu recomendo muito, mas você tem que estar disposta a sair da zona de conforto, a estar realmente sozinha e a assumir a responsa de resolver todo e qualquer B.O. que possa acontecer pelo caminho (eu tive alguns).

Num primeiro momento, ajuda ter claro qual é o seu objetivo. Se for mochilar e conhecer gente nova, fique em hostel e em uma cidade mais agitada. Se o que você quer é ficar mais de boa, talvez um hotel em um lugar tranquilo seja a melhor escolha. Se você não tem a mínima ideia, o quarto individual em um hostel é um ótimo meio termo.

Outro fator importante é o número de dias. Pode não parecer, mas 18 dias é bastante tempo para se passar sozinho – especialmente pela primeira vez. Por exemplo, eu poderia (deveria talvez) ter alternado os tipos de hospedagem e ter ficado em hostel em Cartagena – a cidade tem vários barzinhos e baladas que eu quero voltar e conhecer.

No final, viajar pela Colômbia foi um presente de mim para mim e eu agradeço a confusão com os Estados Unidos – sem ela talvez eu demorasse muito mais em tomar coragem para fazer uma viagem assim.

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