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Diário da Transição Capilar – O começo

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Representatividade. Foi o que eu precisei pra começar a transição capilar. Acompanhar meninas cacheadas e crespas, me jogar nesse universo por um período e começar a entender que pessoas têm sim cabelos diferentes e elas são incríveis! Comecei a me enxergar neste cenário. Precisei também relevar pessoas que mesmo sem maldade se referem a qualquer cabelo que não é liso como cabelo ruim. Precisei perdoar – mesmo que ninguém tivesse pedido perdão – amigos e familiares que despejaram em mim que preferiam meu cabelo longo, ou liso, babyliss, etc.

Minha história

Entrei no lance da progressiva quando ainda era coisa nova no mercado era 2004 e eu tinha só 14 anos. Era ruim, não deixava o cabelo uniforme então eu somava com o relaxamento para ficar bem liso e acabava ficando aquele negócio escorrido no rosto, sabe? Não parecia nada natural mas era de longe muito mais fácil para cuidar. E minha auto estima deu um pulo! Eu era mais aceita socialmente, cabelo liso sempre foi sinônimo de cabelo bem cuidado. Por mais que hoje eu saiba que isto é mentira.

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O clássico cabelo natural com a franja de secador e à direita a primeira progressiva.

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Com 18 anos eu comecei a pagar minhas contas e fui gastando mais dinheiro no alisamento conforme ia ganhando mais. De R$80 pra R$200, então para R$300 e o preço mais caro que já paguei foi R$450. De uma vez por ano mudei para seis meses, de seis para cada quatro, três… Programava minhas lavagens de cabelo sempre um dia antes do fim de semana para que eu não precisasse gastar duas horas hidratando, secando, escovando e fazendo chapinha na frente do meu namorado. Só lavaria de novo na segunda.

Empoderada?

Eu só fui perceber mais velha a fragilidade da minha auto estima. Tenho amigas que brincavam comigo que iam jogar água no meu cabelo para que ele parasse de ficar bonito, e elas não faziam a menor idéia do quanto isso mexia comigo e o quanto eu me sentia vulnerável já que qualquer chuvinha poderia destruir meu trabalho árduo de duas horas. Pintar o cabelo, mudar a textura dele, nada disso é problemático. Mas no meu caso a sensação era como se eu fosse virar abóbora. Ou seja, bastava um pouco de umidade para que toda minha afirmação e empoderamento fosse pro ralo.

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Com o tempo fiquei obcecada em raiz sempre impecável e não podia de jeito nenhum parecer alisado!

*
Quando eu problematizei minha situação – e não foi rápido ou fácil – fui atrás de mudar. Um adendo aqui para o feminismo que me ajudou muito e tem tudo a ver com este post mas vai ter que ficar para outro. Eu finalmente comecei a sentir a necessidade de me amar do jeito que EU queria ser, uma versão mais fácil e menos forçada de mim.

A decisão

Depois dos questionamentos relatados tomei a decisão de parar de alisar o cabelo. Fiz minha última progressiva dia 28 de janeiro desse ano e parei de pranchá-lo dia 8 de abril. Hoje sei que ainda é pouco tempo na jornada de transição e as soluções para lidar com essa fase não são simples. É necessário recuperar o cabelo da química e calor. Ele precisa de muita dedicação para nascer saudável e para a parte já alisada pegar forma.

No mês de Abril perambulando pela internet descobri um creme de iniciação para todo mundo que está recuperando os cachos: Yamasterol. Isso não é uma resenha, então serei breve: na embalagem ele se diz multifuncional, pode-se usá-lo para pentear, máscara de hidratação e co-wash. Aproveitei pra testá-lo no fim de semana que passei na praia sozinha com meu namorado já que seria tranquilo e não teria que passar a barreira da vergonha de encontrar alguém conhecido se eu não achasse meu cabelo bonito. O usei como creme de pentear, amassei um pouco e desfilei de cabelo molhado até secar.

Vamos juntos?

Abro agora um espaço para documentar a minha transição, minhas descobertas, os problemas que encontrei no caminho e as soluções. Se vocês tiverem dicas ou passaram por algo parecido, conta pra mim nos comentários? E se conhecer alguém que está passando por isso, bora compartilhar esse post para que a gente passa por isso juntinhos, dando força uns pro outros! 

 

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3 comentários

  • Resposta
    Danielly
    5 de dezembro de 2017 at 11:37

    Oi, Jackeline. Tudo bem?

    Transição capilar é um assunto bem pesado. Só quem fez a escolha de assumir o natural do cabelo sabe as dores que temos de carregar no dia a dia, mas também são inúmeras as alegrias!
    Abandonei a progressiva em 2016 e só esse ano consegui abandonar a chapinha. Me lembro muito bem, estava em uma festa na casa do meu namorado. Tenho que pegar ônibus e metrô para chegar até lá. Quando me olhei no espelho, o meu cabelo já estava todo ondulado, com frizz, as pontas espigadas, totalmente estranho. Comecei a chorar de tão irritada, pois foi uma dor terrível me deparar com aquele reflexo depois de um trabalho tão árduo para deixá-lo liso. A partir desse momento, voltei a pesquisar loucamente sobre o assunto e decidi que nunca mais iria “maltratar” o meu cabelo de tal maneira.
    Me falta pouco para terminar a transição, mas o que me mantem firme e forte, é a internet que nos aproxima de pessoas tão batalhadoras como a gente.

    • Resposta
      Jackeline Dinizo
      5 de dezembro de 2017 at 13:10

      A gente é ensinada desde petica que o bom é liso.
      Mas hoje quando eu me olho no espelho, eu penso: Porque eu alisei por tanto tempo?

      E pra doutrinar todos os meus amigos e familiares que não existe cabelo ruim? Que não existe sarará, cabelo duro. Parece que tem tanta gente com medo de falar crespo e cacheado e achar que tá ofendendo alguém.

      Ainda rolam uns fios aqui e acolá, sabia? Mas uma coisa que eu não documentei aqui, é que chegou um momento que eu comecei a cortar as partes lisas SOZINHA, LOUCONA! Ele ficou todo desorganizado, mas me fez UM BEM!

      Obrigada por responder, Dani! Sua querida. Do que precisar, estamos aí!

      • Resposta
        Danielly
        5 de dezembro de 2017 at 13:21

        Aqui em casa, meu avô me chama de cabelo pixaim, me manda ir pentear o cabelo, fala pra eu voltar a usar como era pra ser “bonita” novamente. Me parte o coração ouvir essas coisas! Mas se já é difícil mudar a cabeça dos jovens, quem dirá a mente de um idoso.
        Estou com scab hair bem na franja e só tem 1 cm de cabelo saudável por enquanto. É bem em uma parte que já fiquei “careca” por conta de um alisamento antigo. Olha o que a química faz com a gente, não é mesmo?
        Eu sempre cortei o meu cabelo sozinha, desde lisa. Não vai ser hoje que vou mudar kk sigo tutoriais na internet e estamos aí. Só esse ano, já cortei mais de 4 vezes.

        Grande beijo.

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